
A arte provocativa é aquela que possibilita a construção de inferências existenciais a respeito de temas complexos como a morte, ou a finitude, por exemplo!
Esse poema visual, concebido nos tempos de pandemia, quando vivíamos sob o manto do desconhecido, surgiu por meio do fazer artístico, tornando-se imprescindível para suportar aqueles tempos trevosos.
“Onde termina, começa onde” procura evocar a subjetividade da lingua, permeada pelo campo semântico da linguagem entre verbos e locativos.
Espero que apreciem e deixo para vocês interpretarem as intertextualidade possíveis (ou não).
Seu poema suscita reflexão... Gostei demais. Como semioticista, não posso deixar de perceber a recção topológica, pela reiteração semântica da espacialidade, um dos elementos constitutivos da discursivização, ao lado da temporalização e da actorialização. A baliza topológica, modalizada pelo advérbio, sugere que a existência só tem sentido nas bordas da espacialidade. Se não há limite (descontinuidade), não há sentido. Curioso é que, para além da Semiótica, a epistemologia genérica de Jean Piaget concebe a inteligência como interiorização do espaço. Como, segundo ele, a ontogênese recaputula a filogênese, a espacialização social acaba por se atualizar (Saussure) na cognição individual. No contexto epidêmico, seja na Covid, seja no "Satiricon", seja, noutro contexto, no "Voyage autour de ma chambre", o espaço ganha valores…