As eleições brasileiras se aproximam em um dia de outono.
Candidatos (e candidatas) de todos os tipos, para todos os gostos, se expõem como produtos para o consumo em prateleiras.
Promessas, falas, hipocrisia, em muitos casos, regadas a um individualismo camuflado, sintetizado na máxima popular farinha pouca, meu pirão primeiro, enchem as telas de nossas vidas, perpetuando o "toma lá dá cá".
As eleições se aproximam, mas a fome não pode esperar, ainda que seja outono.
Ela está em cada esquina, das grandes e pequenas cidades deste País-Continente. Em cada lata de lixo revirada, por mãos famintas de todos os tamanhos e cores, ecoa o desespero de irmãos e irmãs, tratados como chorume por um governo canalha.
Quando entrar setembro, um quase-outono primaveril anuncia a possibilidade de mudança real para aqueles que precisam, ou seja, para todos e todas de um país que desmorona a cada fala insana de Nero no Planalto.
A covardia, representada pelas estridentes gargalhadas de quem deveria proteger seu povo, ressoa sobre os corpos em decomposição de mais de meio milhão de, também, compatriotas, dizimados pela omissão da corrupção vacinal. Corrupção acobertada pelo discurso virulento de falsos profetas, que disseminam o ódio de seus púlpitos, que nunca foram sagrados (embora saibamos que há aqueles, verdadeiramente pastores, que não compactuam com a fala da morte).
Creio que para os primeiros, os falsos, Jesus esteja envergonhado.
Mas a fome não pode esperar.
Somos milhões de famintos, fome essa que se metamorfoseia além da desnutrição crônica, alimentada pelo fubá com água, para enganar o que não se pode.
Temos também fome de dignidade, de educação, de um sistema único de saúde que atenda a todos, sem deixar que a cor da pele, ou o saldo na conta bancária (para aqueles afortunados, que ainda podem tê-la) determinem quem deverá viver ou morrer.
É essa eugenia disfarçada pelos "homens de bem", quase sempre brancos, pertencentes as oligarquias, representativas das famílias "hétero-conservadoras", responsável por um pais sem futuro, sem trabalho, sem floresta. Lugar onde uma juventude periférica e negra tem os seus sonhos interrompidos pela bala fardada e assassina, que desrespeita a diversidade e a divindade.
A fome não pode esperar e se não soubermos escolher, certamente, correremos o risco de não sermos.
Ainda que seja outono.
Muito bom texto meu amigo... extremamente relevante para o momento que atravessamos... Só quem se alimenta de hipocrisia não enxerga a fome latente do 30 milhões de brasileiros em profunda situação de vunerabilidade...
A fome nunca pôde esperar, não importando se é outono ou inverno. Ela toma forma e grita, chora, se desespera e causa terror e morte! Quem dera que palavras fossem ouvidas, sentidas e levadas a sério! Mas, os homens brincam com os seres humanos como brincam com as marionetes, tenho a impressão que se divertem, alimentando o seu ego de poder dizer, eu tenho o poder e por mim, a fome pode esperar! O chão não dá mais fruto, se nega, pois quem o rega são as lágrimas daquele que tem fome! Ela, a fome já esperou demais... 🕯️😪